Vida de Santo Inácio
A HISTÓRIA DE INÁCIO
Os Primeiros Passos: Infância e Juventude
Inácio, cujo nome de nascimento era Iñigo, nasceu em 1491, na cidade de Loyola, e era o caçula de treze irmãos. Sua família era importante na cidade e ele nasceu na casa-torre do castelo de Loyola.
Com 15 anos, foi morar com uma parenta, D. Maria de Velasco, mulher do "contador-mor" do reino de Castela. D. Maria ofereceu-se ao pai de Inácio para custear-lhe a educação. Com a família Velasco, Inácio viveu em um castelo luxuoso e aprendeu o modo dos cortesãos.
Alguns anos mais tarde, seus protetores perderam a graça do rei. Arruinados, D. Maria enviou Inácio ao Duque de Nájera, que acabara de ser nomeado Vice-Rei de Navarra e vivia em Pamplona.
Com o Duque, Inácio iniciou-se na cavalaria. Conta-se que durante sua estada com o Duque, Inácio enamorou-se de uma jovem, deixando pistas que seria a infanta Catalina, filha de Carlos I.
Com o reino empreendendo inúmeras batalhas, Inácio começou também a participar das guerras. E foi numa delas, contra os franceses, que foi ferido quebrando uma perna e machucando gravemente a outra. Durante 03 dias ficou sem receber os cuidados necessários, até que a batalha teve fim e pode ser removido para cuidar-se.
Em Loyola, um novo nascimento
Inácio chegou ferido a Loyola, após uma viagem penosa pelas montanhas. Seu estado era de tal delicadeza que pensou-se que iria morrer. Porém, aos poucos foi-se recuperando.
Vaidoso que era, chegou a pedir que lhe quebrassem novamente a perna, em uma cirurgia a sangue frio, para que não ficasse com problemas ao andar.
Recolhido ao castelo do irmão, convalescente no andar em cima da casa onde havia nascido, Inácio iria experimentar um verdadeiro renascimento. Desejoso de matar as horas do dia, pedia à cunhada livros de cavalaria que muito lhe entretinham. Porém, a piedosa mulher só possuía em casa dois livros: Vita Christi e a Vida dos Santos.
Sem alternativas, Inácio passou longas horas a ler aquelas histórias e a imaginar-se como um daqueles santos. E foi através dessa leitura que começou a perceber alguns movimentos interiores em seu espírito. Percebia que quando pensava em guerrear ou servir ao rei, seu ânimo logo passava. Quando, porém, imaginava-se como um santo, pregando o Evangelho e servindo a Deus, via que a alegria e o ânimo que sentia eram duradouros e verdadeiros.
Ali, naquela cama do quarto do andar de cima do castelo de Loyola, Inácio transformou sua vida para sempre, terminando seus dias de convalescença decidido a mudar de vida completamente e entregar-se ao seguimento de Jesus.
O Estudante
De volta à Espanha, com o propósito de estudar a fim de preparar-se para sua nova missão, iniciou em Barcelona seus estudos de latim. Nesta etapa, sua experiência pessoal começava a ser estruturada no que viria a ser anos mais tardes, os Exercícios Espirituais. E, consolava-se em dar os Exercícios àqueles que o acompanhavam.
Seu mestre em Barcelona o estimulou a continuar os estudos e, assim, ele segue para a Universidade de Alcalá e, depois, Salamanca. Sustenta seus estudos com o que ganha peregrinando e dando os Exercícios.
Em Alcalá é preso pela primeira vez, a fim de prestar esclarecimentos à Inquisição por conta do tipo de roupa que usava. Já em Salamanca, é preso novamente pela Inquisição, porque ensinava sem ter concluído os estudos. Teve, então, que seguir para Paris, onde terminaria os estudos, para, então, ter a licença para ensinar.
Em Paris, conquista os primeiros companheiros, que mais tarde formariam o núcleo inicial da Companhia de Jesus: Fabro, Laínez e Xavier. Esses companheiros, após viverem eles mesmos a experiência dos Exercícios, passam a dá-los aos outros junto com Inácio.
O tempo leva o grupo a firmar um único objetivo: retornar a Jerusalém. Resolveram que iriam se encontrar em Veneza e lá esperar por um ano até embarcar. Se não conseguissem ir à Terra Santa neste prazo, iriam se apresentar ao Papa.
O grupo de desfaz, indo cada um a um lugar, pregando os Exercícios e experimentando a vida pobre, os ministérios gratuitos e a castidade. Inácio volta à Loyola e lá realiza inúmeras conversões. Em Veneza, é novamente interrogado pela Inquisição.
O reencontro dos amigos é marcado pela alegria e partilha. Mais tarde, essa experiência vai ajudar a formar o que viria a ser o noviciado para os novos jesuítas: tempo de peregrinação e oportunidade de experimentar a miséria humana.
Conseguiram a autorização para viajar, mas a iminência de uma guerra, impede a viagem. Cumprem, então, o tempo definido para espera: um ano. Nesse período, peregrinam, dão os Exercícios e trabalham em hospitais. Ao fim do prazo, não havendo, ainda condições para a viagem, ordenam-se sacerdotes. Como não se encaixavam em nenhuma das ordens existentes, nem eram seculares, passaram a denominar-se Companheiros de Jesus. Inácio, porém, quer ir a Roma para definir melhor como servir a Igreja e no caminho entra na pequena capela conhecida como La Storta. Lá, um novo momento de consolação profunda: Inácio tem a revelação de que Deus o coloca com Seu Filho e a certeza disso foi tão grande em sua alma, que sabia que o Senhor lhe seria propício em Roma.
A Fundação da Companhia de Jesus
Em Roma, o grupo foi envolvido em grandes calúnias e Inácio, resoluto, pediu ao Papa que lhe abrisse um novo inquérito junto à Inquisição. Novamente, nada foi provado e seus perseguidores foram humilhados.
O papa, então, começou a dar-lhes diversas destinações, sobretudo às terras descobertas. O caminho, também, começou a ficar mais definido: após muita oração e discernimento, apresentaram ao Papa o texto inicial do que viria a ser as Constituições da Companhia de Jesus. Em 27/09/1540, o Papa assinou a Bula de Fundação da Companhia, recomendando que as suas Constituições fossem escritas por todos daquele grupo inicial.
A impossibilidade de reunir o grupo já disperso por trabalhos em vários lugares, fez com que coubesse a Inácio a tarefa de escrever as Constituições, tarefa que lhe consumiu longos dias e longo tempo, sempre ouvindo a todos e contemporizando seus desejos à luz da vontade de Deus. Os jesuítas cresceram em pouco tempo. Todos passavam por uma rígida formação regida pela mão sempre amorosa de Inácio. O relato de seus contemporâneos revelam um Inácio firme, exigente, mas sempre pronto ao carinho e à atenção com seus companheiros.
Inácio suportava as críticas de muitos, o desprezo de outros e servia à sua Igreja na forma como Deus lhe pedia. Nos tempos difíceis, pedia que todos, sem exceção, se esforçassem na oração para que a vontade de Deus fosse sempre a vencedora.
O Encontro com seu Senhor
Inácio morreu em 1556, aos 65 anos de idade, combalido por cálculos biliares, que lhe causavam problemas na vesícula e no fígado. Foi o primeiro Padre Geral da Companhia e ditou sua autobiografia ao padre Manoel da Câmara após longa insistência de seus companheiros.
